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Lição de amor

>> quinta-feira, setembro 17, 2009


"Olá consultora, preciso de sua ajuda.


Tenho 21 anos, sou universitária e, na faculdade, conheci um professor de 36 anos que começou a dar em cima de mim pelo MSN. Ele me convidava pra sair sempre. Até que um dia eu fui. Daí aconteceram alguns encontros irregulares. Ele sumia. Dava aula pra mim e de repente aparecia. Chegou a me dar presentes e tinha um papo e beijo envolventes. O certo é que acabei me interessando, mas ele não me ligava nunca. Falava que eu era muito linda e que ele mal conseguia me encarar. Quando ficávamos ele queria mais de mim, mas eu não cedi. Eu não entendia porque ele agia assim comigo. Agora descobri que ele faz isso com muitas garotas de turmas diferentes. Estou arrasada e me sinto um lixo, como se pra ele eu fosse qualquer uma. Não acredito nos homens! Por favor me dê um conselho que me ajude a sair dessa. "


(Gabizinha Fonseca, 21 anos, São Luís-Ma)





Gabizinha quero muito ajudá-la e tentarei o que for possível.

Baby o que aconteceu com você não é fato isolado nesse mundão de meu Deus, infelizmente. Homens que agem dessa maneira realmente são problemáticos. Ou são extremamente vazios, ou magoados com algum fato da vida deles.


Professores são perigosos, geralmente quando dão em cima de alunas, eles querem mesmo apenas se divertir, porque veem nelas a possibilidade de sexo, sexo e mais sexo. Caras assim não procuram ver nas pessoas com quem ele fica qualidades, características ou qualquer outra coisa além do prazer momentâneo.


Lamento dizer isso, mas ninguém sente ou age como você. As expectativas foram frustradas e isso dói bastante. Esse cara provavelmente deve ser muito infeliz porque parece querer provar pra ele algo que ele não consegue, que ninguém consegue. Ele não sabe amar, não tem respeito com os sentimentos das garotas. Tem prazer em causar sofrimento, mas é tudo tão instantâneo que ele busca logo outra aluna para vitimar. Viver nesse círculo vicioso deve ser desgastante. Quanto mais ele ataca, mais ele se destrói. Pode ter certeza disso.


Não importa a pose, as aparências enganam, Gabizinha. Nenhuma graduação, mesmo que seja P.H.D. , não garante inteligência emocional ou vida realizada. Coisa que esta criatura que te magoou não tem. Ele pode transar com todas as alunas do mundo, mas será plenamente infeliz e amargurado porque nunca vai saber como amar. Vai continuar na profunda solidão ele, o computador e as ações desprezíveis dele.


Apesar de tudo o que acontece nessa nossa contemporaneidade, acredito muito na força do amor, pois é a única verdadeira. É ela que pode nos salvar desse hospício virtual em que vivemos.


Outra dica, homens que abordam por meio dessas nossas interfaces informatizadas, raramente são responsáveis e amadurecidos afetivamente. Não digo todos, mas o que usam de maneira exagerada este meio para conquistar alguém, são dignos de inteira desconfiança. As estatísticas confirmam.


Não se sinta assim, não se meça pelas atitudes irresponsáveis dos infelizes. Olhe para frente e para as grandes oportunidades que acontecerão se você não se fechar para o amor. Quem não soube amar foi ele, não você.



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A paixão pelas expectativas

>> domingo, agosto 30, 2009

Ontem em uma conversa muito profunda com uma amiga,a borboleta, verbalizei uma de minhas conclusões recentes. Falávamos sobre decepções, enquanto sentíamos a brisa da praia. Muita gente sofre severamente por causa delas.


Perguntamos-nos freqüentemente porque sempre quebramos a cara em determinados relacionamentos. E nesse processo, a tendência é buscar um réu, e claro, que não sejamos nós. Traições, falta de compreensão, egoísmo, não saber ouvir o outro e uma lista infinita de ações não correspondidas a nós, aumenta dentro da gente.
Isso acontece porque primeiro, nos apaixonamos pelas nossas expectativas. E como sonhamos nessa realização para a nossa plenitude, a tendência é tentar materializar tudo isso nas oportunidades de carne e osso que aparecem pra gente.
Basta admirarmos alguém para desencadear o despejo de nossas esperanças sobre esta pessoa. Como se ela pudesse ser a afirmação do que há dentro de nós.

Mas ninguém é espelho de ninguém. Nesse percurso de ‘divinização’ do outro, vamos fazendo a opção de crer na perfeição dos sentimentos. Nada é perfeito. Sentimentos existem em nós para manifestar também o que em nós não é perfeito. Somos homens e mulheres que nascem , crescem , reproduzem e morrem. E nessa passagem, lutamos para melhorar muito do ruim que há.

Então por que acreditar que outro ser humano, frágil, tão ou mais que a gente, poderá ser a nossa salvação??? Tomar consciência disso pode nos ajudar muito na compreensão dos episódios lamentáveis, dos amores falidos e condutas reprováveis que temos ao longo da vida.
Nos vitimizar só aumenta a dor e não resolve nada. Não espere que o mundo tenha pena de você. Isso não acontece. Seja você o administrador das decepções e modifique o olhar sobre elas. Aprenda! Se algo ruim acontece, é sinal para que encontremos dentro de nós, a causa e modifiquemos aquilo que tem gerado condições desagradáveis no nosso caminho.
Continuemos apaixonados pelas nossas expectativas, com a lucidez de que elas servirão apenas de referência para nossas escolhas, sem jamais esquecer que o amor é para humanos e não para nossas fantasias.

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Amar sempre

>> sábado, agosto 22, 2009

O amor move o mundo, as relações, tudo.

O amor equivocado também, só que nos direciona pra um lugar sombrio, distante de nós, onde ficamos com a decepção, com a tristeza profunda e com nossa solidão.

Quando um sentimento não é correspondido a altura da pureza que ele contém em nós, somos arrebatados por uma profunda dor que toma conta de tudo, turva nossa visão com as lágrimas da alma...

É inevitável que em algum momento da vida sintamos isso. Mas ainda com os olhos encharcados de mágoa e ressentimento, é bom saber que podemos sempre reverter a situação para o nosso crescimento afetivo e espiritual.

Caso você tenha sido vítima de alguém que não soube a grandeza do sentimento que você tinha por essa pessoa, não se desespere. Obedeça a ordem interior e incontrolável do pranto que certamente o acometerá, corra para os braços de amigos sinceros, da família. Afague o seu animal de estimação e manifeste o seu amor às coisas pequenas que fazem parte de ti. Não olhe pra trás, nem lamente o tempo que “perdeste” com quem você achou ser a pessoa especial pra morar em teu coração.

Vai passar, tudo passa tenha a certeza disso. E depois que estiveres sem a marca da ferida no coração, deixe-se guiar pelo Criador e peça a Ele forças para continuar.

A vida não deixa de ser maravilhosa porque sofremos. Você é um ser que reúne possibilidades infinitas e não vai perder o valor que tem, apenas porque não foi saudavelmente correspondido no amor.

Saia de casa tenha boas conversas, leia bons livros, ouça músicas adequadas e ame sempre.

Um abraço sincero da sua Consultora Sentimental.

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A lição de Anamélia

>> terça-feira, junho 09, 2009

Em mais um desses encontros inusitados, conheci a Anamélia. Estávamos num elevador e somente nós. Cumprimentei-a e recebi um lindo sorriso de volta. Aí imaginem que duas mulheres que adoram conversar, de repente começaram a tagarelar sem parar(rimou tudo!). Foi muito legal a tarde.


Anamélia é uma mulher de 37 anos, mineira, divorciada, com um filho lindo, o Andrey de 2 anos, mora em São Luís há um ano e trabalha na administração de uma empresa daqui. Ela ainda está se adaptando à vida ludovicense. Diz adorar a tranqüilidade de São Luís, pois não é muito fã de vida corrida e baladas intermináveis. Quando ela soube que sou Consultora sentimental, quase caiu pra trás. Mas isso só aconteceu lá pro final da conversa, depois que ela já tinha me contado mais da metade da vida dela. Disse que eu só poderia ser algo do tipo e que ela já estava desconfiada de que eu era meio feiticeira. De fato, mas isso é uma outra história.


Anamélia teve uma grande decepção amorosa com o homem que pensou ser ‘pra vida toda’. Ela ainda se recupera e aos poucos vai reconstruindo a vida. O que chamou atenção foi a maneira como ela contou toda a jornada do sonho de princesa que ruiu ladeira abaixo e o que faz pra superar o sofrimento da perda, da desilusão.




Animada, ela não se fechou para o mundo. No entanto, sabe que tudo tem o seu tempo e não procura ninguém pra namorar. Agora é um momento de auto-resgate, de reflexão e de mudanças de hábitos. Sair de Belo Horizonte foi bastante providencial. Ela tem parentes aqui, o que ameniza a solidão. “Bobagem sair de um relacionamento e pular em outro. Você vai se envolver por causa da carência e fatalmente terá uma decepção amorosa.” Concordo com ela. Tem muita gente que faz isso e não vê o erro de não parar no sofrimento e pensar nele, aprender o que precisa.


Anamélia me ensinou um bocado de coisinhas legais e ela nem sabe disso. É tão bom conhecer as pessoas. Presenteie-se com esses aprendizados. Obrigada Anamélia, tenho certeza de que serás mais feliz ainda.


Saber viver o sofrimento é a chave para uma vida plena.

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Era uma vez o amor

>> sexta-feira, outubro 24, 2008

Se existe fidelidade?
É uma resposta bastante complexa e muito simples também. Como estamos no mundo aonde tudo é relativizado, digo a você que vai depender. Minhas certezas vivem flutuando entre o divino ideal e a realidade infernal. Sinto-me hoje como Madame Bovary de Gustave Flaubert. Idéias pseudo–românticas na vida real nos trazem este cenário: pessoas educadas sob o domínio de falsos ideais e, depois da decepção inevitável, ficamos roídos pelo ressentimento. É assim que a desiludida Madame Bovary, triste heroína do romance de Flaubert, viveu(e vive até hoje em muitas mulheres que ainda sonham com o companheiro perfeito).
Madame Bovary é o primeiro romance realista da história francesa. Flaubert escreve este romance como uma “ficção experimental”. Experiências baseadas em fatos reais.
Encontrei minha própria mentalidade de romântica fracassada nessa personagem. Ela era uma bela sonhadora que se casou com um estúpido médico. Frustrada manteve relações eróticas com outro homem e teve muitas outras aventuras que definitivamente macularam aquele coração tão simples, tão vulgar, tão idealizador.
Nem todos os homens são Hamlets ou Dom Quixotes, e nem todas as mulheres são Emma Bovary, mas sempre existirão representantes desses protótipos. “Emma Bovary Ces’t réalité.”
Somos mocinhas sonhadoras, românticas, acreditando no que as nossas leituras medíocres nos contam sobre a felicidade pelo amor. A decepção é inevitável. Logo nos assaltam as aventuras adulterosas. Desespero. Suicídio. História triste e sórdida.

Posso até ser dramática, mas a minha história não vai terminar assim. Ao contrário, quero muita vida para amar todos os amantes que encontrar. Essa é a alternativa sensata. Talvez seja melhor mesmo deixar essa baboseira de príncipe encantado. Vou ser fiel. Mas a que mesmo???

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