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Asas..

>> domingo, maio 31, 2009



Já havia falando em minha mudança inevitável de signo. Junto com ele também vou mudar de amor. Tudo vai ser diferente outra vez. Vai aumentar a dor, vai aumentar o prazer, por outro lado.


Ainda não descobri o significado disso tudo. Sempre procuro saber dessas coisas. Debato-me em meu casulo de bruxa-borboleta sufocada, porque não encontro as respostas. De repente não existe justificativa e a vida é pra se viver de qualquer maneira.


Tinha planejado.


O que se tira de toda essa experiência desvairada de uma paixão? Bem, cada paixão é uma. Eu já tive mais de mil nessa vida de 150 anos de bruxa. Sinto como todo mundo sente. Mas desta vez fui surpreendida. Quando eu quis usar o pó do sumiço, eu quis nunca ter sumido.


O livro de receitas ficou de lado e minha sabedoria foi junto. O que me conforta é que um dia desses, saio de mim com asas bem coloridas e enormes. É aí que voarei. Voarei de mim pra mim.


É assim que vou achar meu novo e verdadeiro amor.

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Sou do signo de MOSCA

>> domingo, maio 24, 2009

Foram duas semanas difíceis. Vivi comigo a profundidade de mim e descobri que muitas coisas estavam debaixo da minha vassoura mágica.


Se tivesse lido meu signo, ou ouvido na rádio... Só que sou do signo de mosca e ninguém publica nada do meu mundo neste mundo. Liguei pro Mestre dos Magos e ele está de férias. Mas os dias vieram e tive que enfrentá-los mesmo assim.


Acordar foi um suplício. Eu pensei que podia viver por mim mesmo. Engano de alguns séculos de vida em minha vida atual. Como pode ser? Nada é meu, não me pertenço mais de uma hora pra outra, pensei. Mas nunca fui minha mesmo.



Respirei como nunca. Tentei captar a energia que me faltou.



Nem estrelas, nem flores, nem borboletas dessa vez. Nem beijos, nem amores.



Somente eu, desnuda diante de mim. Linda e insolente. Horrível e generosamente complicada.



Mais um dia sem ler o signo. Minha vida se modificou, como brisa sobre mim, pousou. Eu já não conseguia me ver. O espelho nunca mostra minha imagem. Nenhuma purpurina sequer, nenhum brilho.



Bruxas não conseguem se enxergar por reflexos. Só sentem a dor de se transformarem.



Eu queria tanto saber mais, ver mais, sentir... A dor continua. É como se estivesse num casulo, sem o calor do sol.



De mosca à borboleta. O signo vai mudar...



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Borboleta de sete vidas(atualizado)

>> segunda-feira, dezembro 24, 2007

Decidi começar a escrever nesta tarde de 27 de junho de 2007 quando lia o livro “Clarice Lispector Jornalista”. É fato que a leitura me motivou um pouco, mais ainda, por causa de uma pequeninha borboleta de asas cinzentas e delicadas, que morreu bem pertinho de onde eu estava acomodada para ler. Observei aquela cena e logo fui verificar se realmente ela já não vivia, pois estava cercada de formigas que, para transportar o cadáver, faziam movimentos como se a pobre borboleta estivesse ainda tentando sair daquele ataque. Estava morta sim.
Imaginei o quanto este pequeno inseto teria vivido o que conseguiu fazer em sua breve existência, além de ter embelezado por alguns dias o jardim da minha mãe.
Todas as tarde várias borboletas se reúnem no caule da goiabeira do nosso quintal. É como se vivessem em comunidade. Não sei se elas vivem assim. Por vezes parecem ser tão solitárias, tão belas e únicas. Juntas com o bater das asas e trocando de lugares como que numa brincadeira, elas ficam desse modo curtindo os últimos raios de sol da tarde.
As borboletas deveriam ter sete vidas como os felinos. Elas mereceriam porque são menos astutas que os gatos e porque são lindas e frágeis, além de passarem por um processo demorado e doloroso para se tornarem finalmente borboletas.
Gosto de borboletas porque são livres, são leves. Talvez quisesse ser uma apenas por um dia, e que não fosse o último de uma borboleta que depois fosse devorada por formigas gulosas. Mas não saberia voar, teria receio da liberdade e talvez não saísse da primeira flor que eu encontrasse. No entanto lembro que borboletas não pensam. Melhor seria, pois preciso não pensar. Preciso ser leve, preciso voar de verdade. Quero me atirar do andar de cima da minha casa, não para morrer. Quero me atirar para a vida, assim como uma borboleta faz sem ter consciência disso. E as minhas longas asas seriam bastante coloridas de azul, vermelho, amarelo, lilás e verde. Puxa, eu seria uma belíssima borboleta de sete vidas!!

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